No final das contas, o que conta mesmo é a pergunta do final: existi? E, portanto, na tessitura da narrativa do mito pessoal, encontra-se essa sorrateira e indissolúvel e inescapável questão. Linear ou circular, a trama textual elaborada indefinidamente por mim através dos outros (e/ou vice-versa), abalroa em seus limites, soando irresoluta: na implosão derradeira, no game-over, nas reticências, terei existido?
Nessa rede babelesca que é uma pessoa, no intricado labirinto de estórias, opiniões e sensações, pensamentos e gestualidades, atitudes e sotaques, estadias e partidas, interjeições e andares, maneiras de obter orgasmo e de franzir as sobrancelhas, há um lugar preciso e bem delineado onde se possa apontar um sujeito (que pretensamente sou)?
E, no entanto, se eu localizá-lo, enquadrá-lo, descrevê-lo ou somente apontá-lo, este sujeito estará lá, para onde aponto, e não aqui, de onde aponto, ou melhor, ele estará, de forma grotescamente quântica, nos dois lugares - ao mesmo tempo.
Dado o fato de que o ponto de vista do narrador do mito é o limite vazio cujo espaço cabe a ele ocupar, sem deliberar isso, e que esse limite está dentro da estória que se conta e remete sempre ao ponto de chegada, à última estação, toda vez que conto a minha estória, estou lhe questionando – dedicado ouvinte, leitor ou coisa que o valha, e que está disposto perpendicularmente à minha narrativa – se em tudo isso realmente existiu alguém, se dá pra ver algum rosto na pontuação do romance que compus, se esse mapa lhe lembra em algo a fisionomia de uma pessoa.
Enquanto essa questão for relevante, certamente haverá um sujeito.
Nessa rede babelesca que é uma pessoa, no intricado labirinto de estórias, opiniões e sensações, pensamentos e gestualidades, atitudes e sotaques, estadias e partidas, interjeições e andares, maneiras de obter orgasmo e de franzir as sobrancelhas, há um lugar preciso e bem delineado onde se possa apontar um sujeito (que pretensamente sou)?
E, no entanto, se eu localizá-lo, enquadrá-lo, descrevê-lo ou somente apontá-lo, este sujeito estará lá, para onde aponto, e não aqui, de onde aponto, ou melhor, ele estará, de forma grotescamente quântica, nos dois lugares - ao mesmo tempo.
Dado o fato de que o ponto de vista do narrador do mito é o limite vazio cujo espaço cabe a ele ocupar, sem deliberar isso, e que esse limite está dentro da estória que se conta e remete sempre ao ponto de chegada, à última estação, toda vez que conto a minha estória, estou lhe questionando – dedicado ouvinte, leitor ou coisa que o valha, e que está disposto perpendicularmente à minha narrativa – se em tudo isso realmente existiu alguém, se dá pra ver algum rosto na pontuação do romance que compus, se esse mapa lhe lembra em algo a fisionomia de uma pessoa.
Enquanto essa questão for relevante, certamente haverá um sujeito.
4 comentários:
Taí um dilema inescapável. E uma dúvida cruel...
Taí um sujeito. : D
bonito desassossego
Enquanto houver sujeito, Naluz...
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