segunda-feira, 11 de maio de 2009

Aos que estão em Patos

Caros amigos daí,


Verdade seja dita: não há idealismo do sertão que suporte dar de cara com uma incoerência como a festa do São João de Patos (se ainda quiser, confronte com essa outra versão). Do jeito que eles fazem por aí ninguém vai acreditar na minha ficção que tenho contado pros daqui. E eu, que falo, tematizo, faço piada com os paulistanóides, mas do jeito como o prefeito Nabor Wanderley tá fazendo é demais, né não? Assim eu fico até sem jeito de cantar as coisas bonitas desta terra bronzeada.

Ora, eu não gosto de falar no nosso blogue, e os meus amigos me têm por testemunha, não gosto mesmo de ter que dizer explicitamente sobre política em Patos. E não se trata da isenção de um ignorante que diz odiar e evita falar no assunto. É porque aí, sabemos bem, se você se pronuncia sobre o assunto todo mundo tende a querer saber logo a qual partido, cacique ou mandatário você se alinha. Não adianta falar seriamente no assunto.

Mas verdade seja dita: VÍCTOR E LÉO?! Que porcaria é aquilo, Deus meu? E o danado é que a matéria no saite do patosonline, provavelmente escrita, e mal, pela assessoria de imprensa do munícpio, diz que a Associação Comercial tremeu quando o prefeito anunciou a presença da dupla sertaneja para a programação desse ano. Já não bastou, em tempos idos, Bruno e Marrone, cujo status de dupla é questionável?

Ah, e eu quero fazer uma ressalva. Já que estou reclamando disso, os partidários do grupo político de Dinaldo Wanderley já estão pensando em me tornar seu mais novo aliado. Se fosse Dinaldo na prefeitura não ia fazer diferente. E tampouco me posiciono a favor de Jozivan e os revoltados do PCR e da União da Juventude e Rebelião.

Eu sei que Patos enfrentou problemas com chuva e isso tem no máximo um mês. Problema de mau planejamento urbano culpa da prefeitura (e não dessa gestão apenas). É um erro que se repete porque o povo pensa que seca é seca pra sempre e que o velho Espinharas não enche de novo. Vão nessa, viu? A prefeitura já era pra ter tomado providências há tempos pra retirar as famílias das regiões ao nível do rio, sobretudo na região da Rua da Baixa (que não por acaso se chama assim, meu povo!).

Afora isso, tem o problema com os buracos por toda a cidade! É só no que ouço falar. Daqui a pouco vão dizer que a cidade está em cima de uma falha geológica, o que explicaria o fenômeno de todos os calçamentos se desfazerem e o asfalto se esburacar. Já não basta dizer que o Inferno fica bem debaixo de Patos, o que explicaria o calor.

Mas voltando a Víctor e Léo, os caras da música das borboletas. O que tem a ver com festa de São João? Já que tanto se arvora falar de uma tradição da festa, em se tematizar o sertão nordestino com a coisa das quadrilhas juninas e tudo mais, acho que os ritmos do xaxado, xote, baião estão mais em acordo. Claro, e não sou eu quem o diz. Falo a propósito do que muitos reivindicam como a tradição. Tanto é que hoje o povo opõe como antagonista dos forrós eletrônico e universitário a coisa genérica e amorfa do "forró-pé-de-serra" e dizem que isso representa o autêntico forró. Acho complicado, mas vá lá; tomemos que sim: e aí, onde cabem Víctor e Léo nisso? Canto nenhum! Acho Derréis muito melhor.

Aliás, a complementação das demais bandas de forró para a festa merece um comentário à parte. Os nomes delas, só de você ler, já sugerem um orgasmo. "Garota Safada", "Calcinha Rasgada", sem falar que as músicas que "Gaviões do Forró", "Solteirões do Forró", "Aviões do Forró" e os demais "ÕES do Forró" só cantam a coisa do chupa que é de uva, senta que é de menta e por aí vão. E uma menção especial a uma banda que deve receber, mesmo em tempos de crise mundial financeira, um patrocínio especial da Toyota, a tal da banda "Forró Hillux". Para os que não conhecem, o mito do playboy forrozeiro construído a partir de uma música de forró é bastante difundido. Ele anda numa Hillux, toma uísque com Red Bull, "solta o som" quando chega num lugar, enfim. Pra quem já esteve em Patos no São João, deve ter visto um rebanho de Hillux que anda, pra cima e pra baixo e impressiona como isso chama a atenção do povo. Principalmente das mulheres. Esse e outros assuntos relacionados ao comportamento (quase em sentido behaviorista) das pessoas nos dias de festa dão margem pra outro texto. Sobretudo se falarmos sobre o fenônemo conhecido e batizado pelo meu amigo Magister Ludi como o Delirium Sancto Johannes.

Bom. Sei que é dinheiro público demais sendo desperdiçado frente aos problemas que a cidade precisa sanar. Não quero aqui dizer que turismo de evento não é massa, que não gera renda e que não é um alternativa dentro do semi-árido nordestino, mas o modelo como está criado na cidade é predatório.

Ainda escrevia este texto quando atualizei o patosonline e me deparo com esta notícia. Sei mais nem como terminar depois dessa. Eu espero que esse rapaz não tenha morrido mesmo pelo motivo que o saite anunciou. Seria louco demais se não fosse, antes de tudo, tão triste...

2 comentários:

Turuna Tântalo disse...

Vou recolocar aqui o comentário depositado com o codinome sincero de "alienígena" no Patos Online [Desculpe a desonrosa menção]

"Minha turma de amigos concordou que nossa grana tá pouca e não vai dar pra festejar todos os dias. Minha namorada prefere ir nos dias de Vital Farias e Xangai, já eu insisto que é melhor o dia que Dominguinhos vai tocar com Flávio José. Os mais afoitos não abrem mão do dia de Alcymar Monteiro... ... ... Ahn? Não é essa programação que vocês estão elogiando? Eita, foi mal, entrei no São João errado.

Anrã, concordo que as atrações anunciadas sejam alegadamente mais "populares", embora "popular" pra mim não signifique exatamente "vulgar", e desejo, sinceramente, que haja divertimento, embora divertir-se não signifique pra mim exatamente "embriagar-se ao som de pornoforró".

Falta muita coisa pra a administração da cidade ser considerada, digamos, administração da cidade e não de interesses particulares. Embora (a última vez que digo isso!) a anterior administração dos interesses fosse menos discreta e mais voraz nesse ponto. Essa programação é um sintoma. E Lacan não quer nem saber dele.

Lau Cariri disse...

Turuna, meu amigo, e apois? Eu tentei me deixar de fora da discussão, mas quero deixar claro que sou a favor muito mais de ver Geraldo Azevedo, Dominguinhos, Flávio José, Pinto do Acordeon. Acho que a palavra "forró-pé-de-serra" cria uma espécie de engodo porque termina vendendo uma imagem que mais diminui do que ajuda. Sou partidário da festa neste estilo. Dou maior valor a Derréis, deixar bem claro isso!

Quanto à administração atual, sem dúvida que é melhor que a anterior (e mais uma vez vão pensar que tomamos partido). Só que o prefeito não deve cair na besteira do comodismo do segundo mandato, que me parece ser o caso. Essa doença cria mais estrago que gripe de "pôico".