Como é possível ter tanto alguém
Que não se sabe mais quem?
Como se fosse fácil saber-se ainda cego
Por ter cegado sem qualquer razão
Como se fosse fácil simplesmente deixar de ser e enxergar
Assim, numa leve distração
Seria sim mais fácil dar a ti meu sangue, gota a gota
Todas as lágrimas numa lagoa branca.
Por entre teus suspiros oprimidos
Dos olhares, do magnetismo
Confundi-me aí por dentro de ti
Enquanto estavas aqui por dentro de mim
E quem mais parece você se não nós?
Quem devo ser eu se não os nós
A que atamo-nos.
E agora anda a dizer meu amor
Que não sabe o que é amar
Anda a dizer que a dor
É coisa de se alegrar
Que aquelas mãos tão unidas
Estavam ali por estar
Aqueles abraços incontidos
Eram só pra confortar
Todos os risos mais ridos
Eram por sermos mesmo ridículos
Por todos os dias que o vi adormecer
Como poderia outra pessoa sentir nisso tanto prazer?
Todas as dores do mundo
Sorvidas no teu simples vulto
Por baixo do meu edredom.
Pela tua respiração ouvida.
Pela tez a mesclar-se com a minha.
Por teu cuidado benigno.
Pelos olhares mais dignos.
Por tua letra, teu pranto.
Por tua arte, o teu canto.
Pelas tuas mãos e a disposição dos teus objetos.
A língua. Os lábios.
E aquele desejo certo.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Freyre, Lula e o Brasil
Há dias li esse poema de Gilberto Freyre, escrito em 1926 e publicado no livro Talvez Poesia (1962), mas que está também presente nessas novas edições de Casa Grande & Senzala.
Muito temos discutido aqui, entre amigos, na nossa Montanha Mágica do Sertão das Espinharas sobre bacharelismo, profissões, artífices, política. Temos discutido a imensa incapacidade que as pessoas no geral possuem de achar que um pedreiro não pode ler e decodificar a visão de mundo de um médico ou de um empresário ou mesmo de ele criar uma visão de mundo tão complexa quanto qualquer outra.
Em outras palavras, Gilberto Freyre mandou um recado a Caetano Veloso muitíssimo antes de Caetano dar a fatídica entrevista na Folha de São Paulo, onde ele chamou Lula de analfabeto. Com a palavra, o Mestre de Apipucos...
O outro Brasil que vem aí
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
de outro Brasil que vem aí
mais tropical
mais fraternal
mais brasileiro.
O mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados
terá as cores das produções e dos trabalhos.
Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças
terão as cores das profissões e regiões.
As mulheres do Brasil em vez das cores boreais
terão as cores variamente tropicais.
Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil,
todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor
o preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e o semibranco.
Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil
lenhador
lavrador
pescador
vaqueiro
marinheiro
funileiro
carpinteiro
contanto que seja digno do governo do Brasil
que tenha olhos para ver pelo Brasil,
ouvidos para ouvir pelo Brasil
coragem de morrer pelo Brasil
ânimo de viver pelo Brasil
mãos para agir pelo Brasil
mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos Brasis
mãos de engenheiro que lidem com ingresias e tratores europeus e norte-americanos a serviço do Brasil
mãos sem anéis (que os anéis não deixam o homem criar nem trabalhar).
mãos livres
mãos criadoras
mãos fraternais de todas as cores
mãos desiguais que trabalham por um Brasil sem Azeredos,
sem Irineus
sem Maurícios de Lacerda.
Sem mãos de jogadores
nem de especuladores nem de mistificadores.
Mãos todas de trabalhadores,
pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,
de artistas
de escritores
de operários
de lavradores
de pastores
de mães criando filhos
de pais ensinando meninos
de padres benzendo afilhados
de mestres guiando aprendizes
de irmãos ajudando irmãos mais moços
de lavadeiras lavando
de pedreiros edificando
de doutores curando
de cozinheiras cozinhando
de vaqueiros tirando leite de vacas chamadas comadres dos homens.
Mãos brasileiras
brancas, morenas, pretas, pardas, roxas
tropicais
sindicais
fraternais.
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
desse Brasil que vem aí.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Sobre Fim
O amor acabou. Abruptamente findado por um gesto ainda agora incompreendido. Tudo recente, novo demais! Não houve tempo para racionalizar. "Por que ela fez isso?! Como entender?!" É natural que você se pergunte onde errou. Mais! Passada a surpresa no começo, aquela sensação de que o mundo parou de uma hora pra outra, e aí você começa a refazer e ressignificar toda a história do seu relacionamento a partir deste ato de fim que veio dela, a sua perspectiva é a do sujeito que fez tudo por onde as coisas dessem certo. Toda a recontagem é feita assim até que, quando da remontagem do mosaico das coisas antes insignificantes, soltas, dispersas mas agora visíveis, tornadas pistas (é por isso que ela falou daquele jeito tal dia!), até que você percebe que você errou. A única vantagem nesse processo doloroso é que você derrube, no fim das contas, a sua imponência, a sua aguda certeza de que fez tudo o que deveria ser feito.
Para quem já leu a A Dócil, novela do filho de Mikhail, traduzida por Vadim Nikitim pela Editora 34, presente na edição que traz junto a não menos fantástica narrativa O sonho de um homem ridículo, sabe também do que estou falando. A perplexidade do narrador em ainda não saber o que pensar do suicídio da sua esposa, da maneira como ela pôs fim ao amor deles, é evidenciada nas suas primeiras falas. Não sabe como foi acontecer, não aceita que isso tenha ocorrido! A racionalização ainda não chegou, as falas são inconclusas, os pensamentos alheios ao evento entram e saem sem sequer deixar claro o motivo de se pensar em tais idiotices (num momento como esse!). Mas está claro que ela ter se atirado pela janela redefiniu toda a compreensão que ele tinha da vida do casal. E ele vai atrás desse sentido, ele precisa contar (mais para si do que pros outros) uma história que possa substituir a história anterior, aquela do dia-a-dia, nada extrarodinária e que nem precisava ser contada, porque não precisava mesmo. Só se deve contar algo que ultrapassa o ordinário, ou então, que conte o ordinário para mostrar que ele é, no fim das contas, Absurdo.
O dono da loja de penhores (Raskolnikóv matou um tipo desses, todos sabem em inquérito já bem apurado) se apresenta como um cara de vida e hábitos comedidos. Ele cuida com muito esmero do seu negócio e administra com eficiência suas contas. Sabe que não pode levar uma vida de regalias, embora, de acordo com seus cálculos, mais alguns anos de trabalho e economias e ele terá a possibilidade de adquirir uma casa melhor num outro lugar, talvez noutro país; de uma visita mensal ao teatro, única diversão que cabe no seu orçamento agora, ele dará um salto para em cada noite um espetáculo diferente. Não se condena pelas privações no agora quando sabe que depois haverá a redenção material. Ele não é estúpido nem ingênuo. Não é com essas cores que Dostoiévski quer que o vejamos. Se no começo ele se apresenta como alguém cheio de si pelas metas seguras traçadas para seu futuro, essa segurança rui ao contato dele com aquela jovem que um dia chega na sua loja para penhorar alguns bens pessoais (se não me engano, um ícone). Não dá pra dizer que ele se apaixonou. Pelo menos não é o que o narrador afirma. Ele passa a prestar atenção nela depois que ela vai mais vezes na loja. Pôde saber que era estudante, que vivia com duas tias que a humilhavam, que precisava do dinheiro para pôr um anúncio no jornal (não me lembro agora se se oferecia para dar aulas ou para trabalhar de empregada). Num dos diálogos travados entre os dois, ele se apresenta a ela tal como Mefisto se define para o Dr. Fausto, citando imprecisamente Goethe: Eu sou uma parte daquela parte do Todo que quer fazer o Mal, mas cria o Bem.
Agora sim ele distinguia muito claramente o quanto aquele espírito era livre. Mas antes de sabermos se ele se apaixonou por ela, por sua beleza ou por seu jeito de pássaro arredio, ele pensou que lha faria um bem se se casassem. Imediatamente ele calcula o espaço equivalente na sua vida a uma esposa - algo que estava de fato previsto, afinal um sujeito modesto deve incluir uma esposa em seus planos. Mas essa era de início sua preocupação e foi honesto com ela ao deixar claro que o teatro, no máximo, era uma noite por mês, viu? Mas e ela? Aceitou casar-se por quê? Ora, segundo o narrador que está recontando tudo de frente pra trás, foi porque ele era vantajoso, como não? Ele era seu benfeitor e assim queria acreditar para dormir em paz na cama. Ele, nobre cavaleiro, salvaria a princesa encastelada pelas duas bruxas malvadas que queriam casá-la com um comerciante da vizinhança, um porco feio e sem modos. Não! Ele não permitiria essa injúria a uma jovem tão inteligente, tão apta e capaz (implicitamente, capaz dele, do narrador). E ela usaria de suas faculdades perfeitas para enxergar isso, que estava na cara, oras! Ela o escolheu porque, dadas as circunstâncias e o grau de julgamento dela, era o melhor a fazer. Mas aí vem a grande dúvida desse capítulo, que toma o leitor de assalto, que eu achei incrível e que infelizmente a sensação que me causou eu não conseguirei transpor para este texto. O narrador diz que, bem, ponderando tudo dessa maneira, ela só terminaria escolhendo o outro pretendente se fosse apenas por pirraça. Ele diz a si mesmo que ela não fez a escolha errada. Até aí o ponto de vista era exclusivamente dele. Ela não aparece, não temos idéia do que ela achava de cada um. E eis que, ao fim do capítulo e diante das coisas como aconteceram depois, o narrador é invadido por uma angústia enorme: mas e se ela escolheu mesmo, por pirraça, o pior dos pretendentes? E se era assim que ela o via?
O casamento de ambos é cheio de controvérsias. Logo de início, o narrador diz que ela ajudou nos negócios, que era prestativa e que parecia interessada naquele projeto de vida. Mas havia algo nela de incompreensível, uma espécie de insatisfação, um enfastiamento. E não era a necessidade de ir mais de uma vez ao teatro. A sensação de ter um pássaro preso começou a perturbar a mente do narrador, que interpreta todas as falas e todos os atos da esposa como sinais e prenúncios do que viria a acontecer no futuro. Não que ela tivesse tendências suicidas, mas a vida viva que ela queria implicava em outras coisas, em desejos que estavam para além daquele projeto traçado, mas que estavam bem aqui e possíveis de realizar. Além disso, episódios extremos como o que ele acorda na mira de um revólver empunhado pela própria esposa, começam a pôr a discórdia em tudo. Num momento mesmo do texto, ele recupera a vez em que ela conhece um antigo amigo do narrador e de quem ela busca se aproximar e daí surge a desconfiança de traição. Em tempos antigos, esse sujeito causou um grande constrangimento ao narrador e ver a esposa acercar-se dele o enfureceu ainda mais. Termina que ela não o trai, apenas queria causar um mal-estar ao marido (juro a vocês que como faz tempo que li a novela não consigo tirar mais conclusões desse episódio, mas não é tão simplista como eu descrevo de memória - aliás, a história toda é cheia de mais coisas que isso que escrevo).
Ocorre que, aquela criatura livre, que cantava sempre enquanto costurava, definhou ao ponto de adoecer. O narrador conta que entre as febres convulsivas ele se desesperava na tentativa de mudar aquilo, de reverter tudo, dar novamente vida à esposa. Ele até acredita que isso foi possível quando decidiu jogar tudo pro alto e ir embora daquela existência numa manhã em que ela acordou bem. Prometeu isso a ela, prometeu que ia vender tudo e que iriam para a tão sonhada vida pela qual ele tanto lutou. Mas talvez isso jamais desse num efeito positivo. A sensação que se fica é de que havia uma espécie de ódio da esposa por se sentir, desde o começo, como a criatura dócil, assim tratada e vista pelo marido. Era como se houvesse uma gratidão que se expressava às avessas. Ou que ela quisesse demonstrar o tempo todo que não era nem sentimento de gratidão eterna nem o regozijo-do-dever-cumprido que ditam o ritmo de um amor. O narrador, nas linhas em que lhe é concedido o direito de tentar entender tudo, deixa claro que há um conflito de gerações, entre os corações jovens, cheios de vitalidade, cuja disposição para um gesto (o "gesto" aqui tomado na sua acepção plena, como algo quase impensado) de bondade e de sacrifício é motivada pela falta de experiência; experiência esta que os mais velhos têm, mas que conseqüentemente não os leva a agir com gestos inequívocos de bondade e sim sempre pensando no quanto algo que se faz pode dar ou em sucesso ou em fracasso.
Minha angústia pessoal consiste em não querer dar nem tirar a razão de nenhuma dessas posturas; nem poder questionar quem opta por uma ou pela outra...
Para quem já leu a A Dócil, novela do filho de Mikhail, traduzida por Vadim Nikitim pela Editora 34, presente na edição que traz junto a não menos fantástica narrativa O sonho de um homem ridículo, sabe também do que estou falando. A perplexidade do narrador em ainda não saber o que pensar do suicídio da sua esposa, da maneira como ela pôs fim ao amor deles, é evidenciada nas suas primeiras falas. Não sabe como foi acontecer, não aceita que isso tenha ocorrido! A racionalização ainda não chegou, as falas são inconclusas, os pensamentos alheios ao evento entram e saem sem sequer deixar claro o motivo de se pensar em tais idiotices (num momento como esse!). Mas está claro que ela ter se atirado pela janela redefiniu toda a compreensão que ele tinha da vida do casal. E ele vai atrás desse sentido, ele precisa contar (mais para si do que pros outros) uma história que possa substituir a história anterior, aquela do dia-a-dia, nada extrarodinária e que nem precisava ser contada, porque não precisava mesmo. Só se deve contar algo que ultrapassa o ordinário, ou então, que conte o ordinário para mostrar que ele é, no fim das contas, Absurdo.
O dono da loja de penhores (Raskolnikóv matou um tipo desses, todos sabem em inquérito já bem apurado) se apresenta como um cara de vida e hábitos comedidos. Ele cuida com muito esmero do seu negócio e administra com eficiência suas contas. Sabe que não pode levar uma vida de regalias, embora, de acordo com seus cálculos, mais alguns anos de trabalho e economias e ele terá a possibilidade de adquirir uma casa melhor num outro lugar, talvez noutro país; de uma visita mensal ao teatro, única diversão que cabe no seu orçamento agora, ele dará um salto para em cada noite um espetáculo diferente. Não se condena pelas privações no agora quando sabe que depois haverá a redenção material. Ele não é estúpido nem ingênuo. Não é com essas cores que Dostoiévski quer que o vejamos. Se no começo ele se apresenta como alguém cheio de si pelas metas seguras traçadas para seu futuro, essa segurança rui ao contato dele com aquela jovem que um dia chega na sua loja para penhorar alguns bens pessoais (se não me engano, um ícone). Não dá pra dizer que ele se apaixonou. Pelo menos não é o que o narrador afirma. Ele passa a prestar atenção nela depois que ela vai mais vezes na loja. Pôde saber que era estudante, que vivia com duas tias que a humilhavam, que precisava do dinheiro para pôr um anúncio no jornal (não me lembro agora se se oferecia para dar aulas ou para trabalhar de empregada). Num dos diálogos travados entre os dois, ele se apresenta a ela tal como Mefisto se define para o Dr. Fausto, citando imprecisamente Goethe: Eu sou uma parte daquela parte do Todo que quer fazer o Mal, mas cria o Bem.
Agora sim ele distinguia muito claramente o quanto aquele espírito era livre. Mas antes de sabermos se ele se apaixonou por ela, por sua beleza ou por seu jeito de pássaro arredio, ele pensou que lha faria um bem se se casassem. Imediatamente ele calcula o espaço equivalente na sua vida a uma esposa - algo que estava de fato previsto, afinal um sujeito modesto deve incluir uma esposa em seus planos. Mas essa era de início sua preocupação e foi honesto com ela ao deixar claro que o teatro, no máximo, era uma noite por mês, viu? Mas e ela? Aceitou casar-se por quê? Ora, segundo o narrador que está recontando tudo de frente pra trás, foi porque ele era vantajoso, como não? Ele era seu benfeitor e assim queria acreditar para dormir em paz na cama. Ele, nobre cavaleiro, salvaria a princesa encastelada pelas duas bruxas malvadas que queriam casá-la com um comerciante da vizinhança, um porco feio e sem modos. Não! Ele não permitiria essa injúria a uma jovem tão inteligente, tão apta e capaz (implicitamente, capaz dele, do narrador). E ela usaria de suas faculdades perfeitas para enxergar isso, que estava na cara, oras! Ela o escolheu porque, dadas as circunstâncias e o grau de julgamento dela, era o melhor a fazer. Mas aí vem a grande dúvida desse capítulo, que toma o leitor de assalto, que eu achei incrível e que infelizmente a sensação que me causou eu não conseguirei transpor para este texto. O narrador diz que, bem, ponderando tudo dessa maneira, ela só terminaria escolhendo o outro pretendente se fosse apenas por pirraça. Ele diz a si mesmo que ela não fez a escolha errada. Até aí o ponto de vista era exclusivamente dele. Ela não aparece, não temos idéia do que ela achava de cada um. E eis que, ao fim do capítulo e diante das coisas como aconteceram depois, o narrador é invadido por uma angústia enorme: mas e se ela escolheu mesmo, por pirraça, o pior dos pretendentes? E se era assim que ela o via?
O casamento de ambos é cheio de controvérsias. Logo de início, o narrador diz que ela ajudou nos negócios, que era prestativa e que parecia interessada naquele projeto de vida. Mas havia algo nela de incompreensível, uma espécie de insatisfação, um enfastiamento. E não era a necessidade de ir mais de uma vez ao teatro. A sensação de ter um pássaro preso começou a perturbar a mente do narrador, que interpreta todas as falas e todos os atos da esposa como sinais e prenúncios do que viria a acontecer no futuro. Não que ela tivesse tendências suicidas, mas a vida viva que ela queria implicava em outras coisas, em desejos que estavam para além daquele projeto traçado, mas que estavam bem aqui e possíveis de realizar. Além disso, episódios extremos como o que ele acorda na mira de um revólver empunhado pela própria esposa, começam a pôr a discórdia em tudo. Num momento mesmo do texto, ele recupera a vez em que ela conhece um antigo amigo do narrador e de quem ela busca se aproximar e daí surge a desconfiança de traição. Em tempos antigos, esse sujeito causou um grande constrangimento ao narrador e ver a esposa acercar-se dele o enfureceu ainda mais. Termina que ela não o trai, apenas queria causar um mal-estar ao marido (juro a vocês que como faz tempo que li a novela não consigo tirar mais conclusões desse episódio, mas não é tão simplista como eu descrevo de memória - aliás, a história toda é cheia de mais coisas que isso que escrevo).
Ocorre que, aquela criatura livre, que cantava sempre enquanto costurava, definhou ao ponto de adoecer. O narrador conta que entre as febres convulsivas ele se desesperava na tentativa de mudar aquilo, de reverter tudo, dar novamente vida à esposa. Ele até acredita que isso foi possível quando decidiu jogar tudo pro alto e ir embora daquela existência numa manhã em que ela acordou bem. Prometeu isso a ela, prometeu que ia vender tudo e que iriam para a tão sonhada vida pela qual ele tanto lutou. Mas talvez isso jamais desse num efeito positivo. A sensação que se fica é de que havia uma espécie de ódio da esposa por se sentir, desde o começo, como a criatura dócil, assim tratada e vista pelo marido. Era como se houvesse uma gratidão que se expressava às avessas. Ou que ela quisesse demonstrar o tempo todo que não era nem sentimento de gratidão eterna nem o regozijo-do-dever-cumprido que ditam o ritmo de um amor. O narrador, nas linhas em que lhe é concedido o direito de tentar entender tudo, deixa claro que há um conflito de gerações, entre os corações jovens, cheios de vitalidade, cuja disposição para um gesto (o "gesto" aqui tomado na sua acepção plena, como algo quase impensado) de bondade e de sacrifício é motivada pela falta de experiência; experiência esta que os mais velhos têm, mas que conseqüentemente não os leva a agir com gestos inequívocos de bondade e sim sempre pensando no quanto algo que se faz pode dar ou em sucesso ou em fracasso.
Minha angústia pessoal consiste em não querer dar nem tirar a razão de nenhuma dessas posturas; nem poder questionar quem opta por uma ou pela outra...
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Para uma pessoa que me deixou saudades...
Amigos,
há muito tempo conheço essa canção. Talvez uma das mais perfeitas de Pablo Milanés, cantor e compositor cubano. Entre tantas, essa música diz coisas sobre a ausência e saudade de uma pessoa que é mostrada de uma maneira sóbria e ao mesmo lancinante. Varia entre essa admiração dos motivos plausíveis (racionais) pelos quais se gosta de alguém e por aqueles motivos que ninguém sabe quais são, mas que de qualquer forma se sente que se gosta. O receio, sempre de ordem racional, desse amor por tal pessoa, se completa com aquele impulso que faz por onde se lançar de qualquer modo pra cima dessa paixão. A canção está nessas duas tentativas de definição da amada para, no fim, sintetizar num titubeio de racionalidade misturado com delírio de êxtase: ela não é perfeita, mas se aproxima daquilo que eu simplesmente sonhei. Gostaria de compartilhar com todos "El breve espacio en que no estás", música de Pablo Milanés interpretada por Silvio Rodríguez, também cubano. A minha pessoa em questão sabe quem é, saberá. Talvez (eu disse "talvez") ela se supreenda com o fato de que na canção haja a possibilidade de se aceitar "dividi-la" com outras pessoas para que o vazio da vida seja menor. E ela sabe que eu sou chato.
há muito tempo conheço essa canção. Talvez uma das mais perfeitas de Pablo Milanés, cantor e compositor cubano. Entre tantas, essa música diz coisas sobre a ausência e saudade de uma pessoa que é mostrada de uma maneira sóbria e ao mesmo lancinante. Varia entre essa admiração dos motivos plausíveis (racionais) pelos quais se gosta de alguém e por aqueles motivos que ninguém sabe quais são, mas que de qualquer forma se sente que se gosta. O receio, sempre de ordem racional, desse amor por tal pessoa, se completa com aquele impulso que faz por onde se lançar de qualquer modo pra cima dessa paixão. A canção está nessas duas tentativas de definição da amada para, no fim, sintetizar num titubeio de racionalidade misturado com delírio de êxtase: ela não é perfeita, mas se aproxima daquilo que eu simplesmente sonhei. Gostaria de compartilhar com todos "El breve espacio en que no estás", música de Pablo Milanés interpretada por Silvio Rodríguez, também cubano. A minha pessoa em questão sabe quem é, saberá. Talvez (eu disse "talvez") ela se supreenda com o fato de que na canção haja a possibilidade de se aceitar "dividi-la" com outras pessoas para que o vazio da vida seja menor. E ela sabe que eu sou chato.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Gilberto Freyre e o tapa na pantera
Essa é uma nota, a nota 73 do capítulo IV, de Casa Grande & Senzala, 50ª Edição (São Paulo: Global Editora, 2005, p. 479), do sociólogo/antropólogo/historiador pernambucano Gilberto Freyre. No corpo do texto no qual a nota é inserida (página 395), o autor trata da incorporação de objetos de culto e de prática religiosos pelos escravos no Brasil, a exemplo de ervas sagradas. Olhem bem como é um Antropólogo, mesmo dos mais (dito) conservadores, na sua pesquisa de campo:
"Entre outras, a erva conhecida no Rio de Janeiro - segundo Manuel Querino - por pungo e por macumba na Bahia; e em Alagoas por maconha. Em Pernambuco é conhecida por maconha; e também, segundo temos ouvido entre seus aficionados, por diamba ou liamba. Diz Querino que o uso de macumba foi proibido pela Câmara do Rio de Janeiro em 1830, o vendedor pagaria 20$000 de multa; o escravo que usasse seria condenado a 3 dias de cadeia. Já fumamos a macumba ou diamba. Produz realmente visões e um como cansaço suave; a impressão de quem volta cansado de um baile, mas com a música ainda nos ouvidos. Parece, entretanto, que seus efeitos variam consideravelmente de indivíduo para indivíduo. Como o seu uso se tem generalizado em Pernambuco, a polícia vem perseguindo com rigor os seus vendedores e consumidores - os quais fumam-na em cigarros, cachimbos e alguns até a ingerem em chás.
Alguns consumidores da planta, hoje cultivada em várias partes do Brasil, atribuem-lhe virtudes místicas; fuma-se ou "queima-se a planta" com certas intenções, boas ou más. Segundo Querino, o Dr. J. R. da Costa Dória atribui-lhe também qualidade afrodisíaca. Entre barcaceiros e pescadores de Alagoas e Pernambuco verificamos que é grande ainda o uso da maconha."
"Entre outras, a erva conhecida no Rio de Janeiro - segundo Manuel Querino - por pungo e por macumba na Bahia; e em Alagoas por maconha. Em Pernambuco é conhecida por maconha; e também, segundo temos ouvido entre seus aficionados, por diamba ou liamba. Diz Querino que o uso de macumba foi proibido pela Câmara do Rio de Janeiro em 1830, o vendedor pagaria 20$000 de multa; o escravo que usasse seria condenado a 3 dias de cadeia. Já fumamos a macumba ou diamba. Produz realmente visões e um como cansaço suave; a impressão de quem volta cansado de um baile, mas com a música ainda nos ouvidos. Parece, entretanto, que seus efeitos variam consideravelmente de indivíduo para indivíduo. Como o seu uso se tem generalizado em Pernambuco, a polícia vem perseguindo com rigor os seus vendedores e consumidores - os quais fumam-na em cigarros, cachimbos e alguns até a ingerem em chás.
Alguns consumidores da planta, hoje cultivada em várias partes do Brasil, atribuem-lhe virtudes místicas; fuma-se ou "queima-se a planta" com certas intenções, boas ou más. Segundo Querino, o Dr. J. R. da Costa Dória atribui-lhe também qualidade afrodisíaca. Entre barcaceiros e pescadores de Alagoas e Pernambuco verificamos que é grande ainda o uso da maconha."
sábado, 14 de novembro de 2009
Nova entrevista com o Prof. João Carlos Cabrío
Semana passada, o emérito Professor João Carlos Cabrío esteve na Unicamp para participar de um evento e aproveitou o ensejo para nos brindar com o lançamento do seu novo trabalho, um compêndio de ensaios sobre as novas produções literárias brasileiras do chamado "mercado editorial independente", intitulado Poesia, pra que te quero? (Editora da Unicamp, 2009, 458 p.)
Da última vez que estivemos em contato, ano passado, o professor Cabrío demonstrou enorme gentileza e concedeu entrevista exlusiva ao Soda Cáustica quando de sua passagem pelo Vale das Espinharas, sertão da Paraíba, cidade de Patos, por onde peregrinava colhendo material para a pesquisa que ora está disponível neste belíssimo livro recém-saído do prelo. O leitor que quiser saber como foi essa entrevista, não espere muito e leia aqui.
Estava, pois, minha pessoa dando sopa em São Paulo quando soube desse evento e decidi dar uma olhada. A curiosidade foi grande em descobrir se o nosso desbravador da literatura das brenhas teria alguma recordação da experiência em Patos. Qual! Bem-humorado, sorridente pela cerimônia de celebração de seu livro, o professor não só se lembrou como me deu a honra de entrevistá-lo outra vez! E as surpresas não param por aí. Acompanhem...
Da última vez que estivemos em contato, ano passado, o professor Cabrío demonstrou enorme gentileza e concedeu entrevista exlusiva ao Soda Cáustica quando de sua passagem pelo Vale das Espinharas, sertão da Paraíba, cidade de Patos, por onde peregrinava colhendo material para a pesquisa que ora está disponível neste belíssimo livro recém-saído do prelo. O leitor que quiser saber como foi essa entrevista, não espere muito e leia aqui.
Estava, pois, minha pessoa dando sopa em São Paulo quando soube desse evento e decidi dar uma olhada. A curiosidade foi grande em descobrir se o nosso desbravador da literatura das brenhas teria alguma recordação da experiência em Patos. Qual! Bem-humorado, sorridente pela cerimônia de celebração de seu livro, o professor não só se lembrou como me deu a honra de entrevistá-lo outra vez! E as surpresas não param por aí. Acompanhem...
Lau Cariri: Professor, deixe-lhe dizer com que gosto converso novamente consigo.
João Carlos Cabrío: Eu me sinto muito feliz em vê-lo e surpreso também. Vocês andam me seguindo? (Risos)
LC: (Risos) Foi uma coincidência estranha, professor.
JCC: Não vejo seu amigo, ele estava na conversa da outra vez...
LC: Sim, ele está em Patos. Esperava que não se lembrasse, honestamente. Mas me diga, sr. Cabrío, este livro é resultado daquelas pesquisas?
JCC: De fato, é. Foi penoso, mas veio a lume. Mas perceba, não me esqueci jamais. Inclusive, deixe lhe mostrar que coloquei na página dos Agradecimentos o nome de vocês. Não haveria como esquecer... Patos foi extremamente importante para a consolidação das minhas teorias.
LC: (O professor me mostra a página) Obrigado, sr. Cabrío! Em nome de todos que fazemos o Soda Cáustica, eu agradeço! Quanta lisonja! Mas diga, por favor, estou ávido por entender: como foi isso da contribuição de Patos? Foi tão decisiva assim? O que o sr. encontrou lá?
JCC: Foi sim. Por duas grandes razões. A princípio eu poderia dizer que Patos me ensinou que o empenho em analisar a adoção de políticas descentralizadoras facilita a criação do retorno esperado a longo prazo. Isso é salutar para compreender que o cuidado em identificar pontos críticos no acompanhamento das preferências de consumo faz parte de um processo de gerenciamento das posturas dos órgãos dirigentes com relação às suas atribuições. Do lado oposto, mas contribuindo também para a compreensão do problema, é que a consolidação das estruturas estimula a padronização das diretrizes de desenvolvimento para o futuro. Esses fatores foram cabais, modificaram meu modo de lidar na minha pesquisa com a literatura menor como um todo. E eles se encontram lá mesmo, em Patos.
LC: Pelo que entendi, professor, houve um avanço entre as produções no mercado editorial patoense que marca definitivamente essa padronização. Foi isso?
JCC: Perfeitamente, mas não apenas. Eu descobri que, evidentemente, a determinação clara de objetivos promove a alavancagem dos níveis de motivação departamental neste setor.
LC: Ano passado, conversamos detidamente sobre os escritores Wandecy Medeiros, Misael Nóbrega e José Mota Victor. Hoje, tendo o trabalho completo, como ficou sua visão do papel destas obras no contexto da sua pesquisa?
JCC: Acredito que muito desde então se modificou... da outra vez, fui muito severo com o sr. Misael Nóbrega. Lendo melhor seus textos, compreendi que podemos já vislumbrar o modo pelo qual a crescente influência da mídia talvez venha a ressaltar a relatividade do levantamento das variáveis envolvidas. Veja que eu disse talvez, porque afinal, não adianta que a valorização de fatores e subjetivos estimule a padronização das diversas correntes de pensamento se não houver, como contrapartida, o aumento do diálogo entre os diferentes setores produtivos que sempre promove a alavancagem do fluxo de informações. Mas acredito que sua poesia e sua prosa caminhem para importantes posições no estabelecimento das condições inegavelmente apropriadas.
LC: O senhor continua adepto da metodologia bakhtiniana de observação desses fenômenos?
JCC: Boa pergunta. Eu diria que sim e que não. Por exemplo, percebi que, no caso da obra de Wandecy Medeiros, Bakhtin possui limitações claras no auxílio às minhas análises. Wandecy, por apresentar todas as questões poéticas devidamente ponderadas, ele me levanta dúvidas sobre se a crescente influência da mídia representa uma abertura para a melhoria dos relacionamentos verticais entre as hierarquias. Eis o limite de Bakhtin que muitos estudiosos ignoram! Aqui, suas teorias são inválidas para ler as categorias wandecynianas. Nunca é demais lembrar o peso e o significado destes problemas, uma vez que o novo modelo estrutural aqui preconizado pode nos levar a considerar a reestruturação dos modos de operação convencionais. E por isso mesmo eu sigo afirmando o caráter revolucionário da poesia de Wandecy.
LC: Professor, isso é uma guinada significativa em relação à nossa última conversa, não posso deixar de observar. O senhor teve contato com o livro mais novo de Wandecy Medeiros, Mascando Arame Farpado? Se sim, como o enxerga dentro do plano geral da obra do poeta?
JCC: Sim, foi uma guinada, embora eu não abandonei o fato de achá-lo revolucionário. A diferença é que antes a certificação de metodologias que nos auxiliaram a lidar com o aumento do diálogo entre os diferentes setores artísticos era uma das consequências dos procedimentos normalmente adotados. E isto estava errado... ou melhor, incompleto! E, de fato, o contato com o seu novo livro, como você bem lembrou, foi decisivo para entender que minhas teorias engessavam a complexidade da poesia de Wandecy Medeiros. Desta maneira, vi que a determinação clara de objetivos exige a precisão e a definição das condições inegavelmente apropriadas. Foi partindo desse princípio que li o Mascando Arame Farpado, que, para mim, demarca um novo locus nas obras dele, já que o entendimento das metas propostas ressalta a relatividade do sistema de formação de quadros que corresponde às necessidades da expressão poética. Isso foi extremamente novo para mim, devo confessar.
LC: Mas me tire essa curiosidade, professor: onde, então, o sr. permanece fiel a Bakhtin?
JCC: Ora, justamente onde ele aponta que a certificação de metodologias que nos auxiliam a lidar com o aumento do diálogo entre os diferentes setores produtivos é uma das consequências dos procedimentos normalmente adotados pelos escritores. Não resta dúvida. O que eu vejo é que, ainda assim, existem dúvidas a respeito de como a adoção de políticas descentralizadoras causa impacto indireto na reavaliação dos paradigmas corporativos. Mas acredito que isso seja uma questão de tempo de resolver esse impasse teórico.
LC: Professor, faça justiça e comente também sobre sua crítia a José Mota Victor. Não o esqueça, por favor.
JCC: Mas se justamente era aí que eu daria um exemplo de minha fidelidade a Bakhtin... (risos). Percebo que José Mota fornece ainda elementos capazes de fixar a certificação de metodologias que nos auxiliam a lidar com o julgamento imparcial das eventualidades para agregar valor ao estabelecimento das direções preferenciais no sentido do progresso. Aprendi a dar importância a esse aspecto através do pensamento do linguista russo, de quem sou devedor. Mas não deixo de acrescentar o perigo que o teatro de José Mota Víctor corre pois a constante divulgação das informações deve passar por modificações independentemente das regras de conduta normativas, e o texto dramático passou por enormes modificações que precisam ser constantemente revistas pelos autores, inclusive José Mota. Dos três sobre os quais conversamos, ele é o mais volátil. Lembro que sustentei a tese da diferença entre José Mota e Misael Nóbrega naquela época do início da pesquisa. E hoje vejo que estava certo desde sempre. Mas eu confesso que em matéria de teatro, onde José Mota se caracteriza, sou ignorante no assunto. A revolução dos costumes acarreta um processo de reformulação e modernização do processo de comunicação como um todo no teatro e felizmente a poesia ou a prosa não se limitam apenas a isso.
LC: Professor, mais uma vez agradecemos pelas suas esclarecedoras palavras. Esperamos que, como da outra vez, elas forneçam cada vez mais ajuda aos estudiosos da Literatura em Patos. Para fechar, pode nos dizer palavras gerais sobre o seu livro, já que ele estuda inúmeros outros escritores em diversas localidades?
JCC: Sim, é verdade. A pesquisa é abrangente. Olha, acima de tudo, o que busquei dizer foi que é fundamental ressaltar que a mobilidade dos capitais internacionais obstaculiza a apreciação da importância das posturas dos órgãos dirigentes com relação às suas atribuições. Mas que todavia os escritores resistem e continuam a criar. Tentei mostrar isso em diversos níveis. Penso que minha modesta contribuição aos estudos de Literatura reside aí.
LC: Obrigado, professor João Carlos Cabrío. Boa sorte com seu livro.
JCC: Fico feliz em colaborar pela segunda vez com vocês.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Divulgando
Amigos,
Em matéria de preocupação com os gastos públicos, as oposições no Estado de São Paulo estão muito bem aparelhadas. O saite do economista (achei legal ele mesmo escever com "e" minúsculo) Eduardo Marques, que é ligado à Liderança do PT na Assembléia Legislativa, traz uma contribuição àqueles que desejam entender o funcionamento dos gastos públicos do Estado, através de textos bem acessíveis. Eu recomendo (que já foi recomendação da minha adorada amiga Sueli) a todos, mesmo. Acrescento ainda, já que estamos a falar de dinheiro, que não custa nada observar como andam investindo o dinheiro do contribuinte. A Paraíba tem meios que disponibilizam online seus gastos, o uso dos seus e dos meus impostos. Seja pelo sistema do Sagres online, do Tribunal de Contas do Estado, seja pela publicação do Diário Oficial da Paraíba. Eu garanto que, depois de uma certa insistência, o negócio se torna divertido. Já acessei muitas vezes o Sagres. Dá pra saber um monte coisa.
Vocês não tão interessados em ver, não?
Vocês não tão interessados em ver, não?
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