domingo, 15 de junho de 2008

O ser poético


Simple Fortune


Those terrific eyes of you

Has within the simple fortune

Of holding my heart in return


Once again they shiver gladly

In front of my caress completely given

And as it was so easy to do

They go reaching all my inner truth


For a girl that can take nothing for granted

Defenseless goes this usual hunter

Even it’s such an unbearable happening

She throws herself hunted pleasantly!


Não é uma ode à língua inglesa. É apenas uma linguagem por onde essa poesia pôde existir. Observando ela em sua forma original acima, tentei traduzi-la e saiu algo diferente da idéia original, mas não menos poético:


Fortuna

Este teu afável olhar

Guarda a simples fortuna

De meu íntimo abarcar

Sem pedir licença nenhuma

Outra vez as íris brilham

Diante do afeto em apogeu

E como se fosse fácil, captam

A verdade que se escondeu

Para o amante da conquista

É intolerável o que de todo lhe fisga

E mesmo que seja insuportável o fato

Ela se entrega, por querer, ao caçado!



Por essa razão penso que a tradução de poemas devia ser proibida, muito embora gere algo não menos poético e interessante, no entanto, de sentido provavelmente desconexo e infiel à poesia original. Essa peculiaridade que possui a poesia traduz o âmago de minha paixão por ela. Ela não é apenas concatenação de idéias, mas, além disto, idéias concatenadas ao sabor de uma sonoridade única e indissociável.

sábado, 14 de junho de 2008

Postagem na madrugada

Acho que todos os novos blogues com uma proposta interessante devem buscar algum tipo de divulgação mútua. Aqui fica, pois, o endereço do blogue de uma amiga lá de terras distantes: Vitória da Conquista(BA) - cidade com o nome mais esquisito do mundo, segundo palavras da própria nativa. Ela nos divulgou, então eu devolvo a cortesia.

O blogue é o Psicoteco, da minha amiga Hellnatinha.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Allyrio no Soda Cáustica


Bom, essa é uma postagem extraordinária, como aqueles boletins do plantão da Globo. Extraordinária pelo menos para mim, que não esperava nem pensava postar algo dessa forma. Mas como o assunto entrou em pauta no Mural do Patosonline, então eu vou publicar. Antes de tudo, presto apenas alguns esclarecimentos:

Como falaram em Allyrio Meira Wanderley - e eu me meti na conversa -, entre uma fala e outra trocada, o muralista Souza Irmão me pediu que fizesse um texto biográfico. Ora, já existem alguns circulando, escritos por ilustres patoenses, mas muito ruins (definitivamente!). Eu não quero escrever um "mais do mesmo". Então aproveitei um e-mail que enviei para uma professora Doutora há certo tempo, fiz algumas edições e vou dispô-lo aqui. Omiti alguns nomes e informações para proteger o meu anonimato e deixar de lado as outras pessoas envolvidas (algo que, creio eu, nesse momento não assume grande relevância). Onde eu coloquei Lau Cariri, é claro que no lugar estava meu nome verdadeiro. E onde estão as lacunas, no e-mail estava tudo completo. É texto mais acadêmico, me perdoem, mas acho que isso pode substituir a biografia.



Saudações, caríssima _________


Hoje, 24 de janeiro, eu fazia uma busca de rotina na internet acerca de Allyrio Meira Wanderley, cruzando o nome dele com outras referências. Quando usei, junto no critério da busca, o termo "Monte Brito", pseudônimo com qual assinou vários rodapés em jornais na década de 1940, o buscador apontou para o banco de teses e dissertações da ______ e lá encontrei sua tese de doutoramento. Não a li por inteiro, afinal, estou com ela há menos de 15 minutos, mas pude "sentir" do que se trata. Evidentemente, fui direto à procura de onde havia a tal referência. E para minha alegre surpresa, vi que o contexto onde estava citado o nome do Autor era o mais bem localizado possível: os projetos de brasilidade na Era Vargas. Nunca empreendi uma pesquisa inteira sobre a relação da obra de Allyrio Meira Wanderley com esse tema tão atraente e tão em ascensão na pesquisa histórica brasileira atual, mas já ensaiei alguns passos e tenho outras idéias, muitas mesmo (pois acerca de Allyrio, que além de filósofo e crítico literário, também foi romancista, é possível traçar relações e confluências de sua literatura com as idéias do jovem Lukács d'A Teoria do Romance e com as obras de Thomas Mann e de Dostoiévski no que dizem respeito aos projetos de modernidade, cultura, ideologia, política, moral e Progresso discutidos por estes escritores).

Como sua tese foi defendida em 2002, e já se vão por volta de 6 anos, espero que tenha obtido mais informações sobre Allyrio, sobretudo agora que é professora de História da UF____. E aqui, permita-me que me apresente. Meu nome é Lau Cariri, sou recente _____________ pela UF___. Sob orientação do Prof. __________, defendi minha monografia de conclusão de curso "Entre a Literatura e a História: Uma Contribuição ao Tema a Partir da Obra Bolsos Vazios de Allyrio Meira Wanderley" em outubro passado. Neste trabalho, que tem de tudo um pouco, na terceira parte há uma avaliação dos projetos de ideologia, política e cultura no referido romance. Lembro-me que enquanto escrevia o trabalho, a quantidade de referências que encaixavam a literatura de Allyrio dentro da perspectiva dos projetos de brasilidade das primeiras décadas do século XX no Brasil eram enormes, principalmente no quesito da discussão de uma possível arte brasileira, da sua forma e conteúdo específicos, além de um grande diálogo sobre a aceitação ou rejeição dos vanguardismos (só para localizar, o romance Bolsos Vazios foi escrito em 1928). Não foi tão difícil, portanto, encontrar proximidade com os debates de natureza semelhante, em contexto particular, é claro, presentes n'A Montanha Mágica, de Thomas Mann.

Bem, retomando… como dizia, espero que tenha obtido mais informações sobre esse autor com sua presença na UF____, uma vez que Allyrio era paraibano (da cidade de Patos, no sertão, que é o lugar, por sinal, de onde lhe escrevo agora). Sou pesquisador de sua obra há algum tempo e já tive a oportunidade de ler seus romances e seus ensaios de sociologia, crítica e teoria literária e de filosofia. Você mencionou As Bases do Separatismo quando se referiu ao período Vargas e a construção do projeto nacional. De fato, nesse livro, há uma radicalização do discurso contra a unidade brasileira e que foi reprimida ainda no ano da publicação (já cheguei a ler a nota emitida pelo DIP onde considerava o livro de subversivo e comunista e que por tais razões cassava a obra e processava o Autor - de modo que Allyrio foi mesmo processado e até se refugiou na região do Pico do Jabre, próximo a Teixeira, enquanto não foi absolvido das acusações).

Bem. Com todo esse palavreado, é possível que você só esteja pensando em qual seria a intenção desse e-mail. Direi. Sou pesquisador de Allyrio, mas encontro muitas dificuldades em juntar material de pesquisa assim como manter um respaldo acadêmico para pesquisá-lo. Digo isso porque quando iniciei meus estudos para a monografia, o maior problema encontrado foi não ter referências para minhas observações e análises. Allyrio é pouquíssimo conhecido e isso cria uma barreira para manter um diálogo com outras leituras já feitas sobre seus livros e com as quais eu possa comparar e tomar como embasamento. Isso me motivou a quase que encampar uma missão de tornar Allyrio visível e, através de contatos que venho estabelecendo, tenho conseguido resultados bons. Nunca foi meu objetivo a atitude mesquinha de, como se tivesse achado uma mina de ouro, esconder Allyrio Meira, mesmo sabendo que suas obras "dão pano para mangas" e trabalhos sobre elas são inéditos. Durante esse tempo, estabeleci contatos que muito ajudaram. Espero ter encontrado em você mais uma grande ajuda.

Minha proposta é que estabeleçamos um diálogo. Quando escrevi minha monografia, havia estudado em disciplinas do curso a historiografia brasileira do século XX, coisa que me permitiu muitas das análises que encaixam Allyrio no contexto que você mesma aborda no momento inicial da sua tese. Mas ainda assim, considero as análises presentes no meu texto defasadas quando comparo com o que já "ruminei" desde então e com o que adquiri com esse tempo passado. Penso que com certeza suas leituras mais abrangentes no tema sejam capazes de agenciar a relação "Allyrio-Contexto de formação da brasilidade no início do século XX" de maneira mais eficaz e me ajudarão deveras. Ressalto, ainda, que para além dessa minha sugestão podem e devem prevalecer seus próprios interesses quando tomar contato com Allyrio e avaliar o que sua obra pode efetivamente lhe dizer e como pode conversar com as pesquisas desempenhadas atualmente por você.

Imagino, é claro, que você tem muitas ocupações como professora da UF___ e que elas até impeçam seu empenho nessa proposta. Mas pela afinidade que à primeira vista se estabelece entre os temas, creio que seja sim de seu interesse.

Portanto, antes mesmo de terminar, é possível até crer que tudo isso que acabei de falar sobre Allyrio Meira já seja de seu conhecimento, e talvez você já tenha mais idéias e sugestões diante do que encontrou. Isso seria ótimo! Então, pergunto agora: além daquela informação presente na sua tese, já pesquisou algo mais? A questão é importante porque só assim posso avaliar como posso ajudá-la fornecendo algumas coisas de que disponho - e de como você pode me ajudar também.

Aguardo resposta.

Agradeço sua atenção.

Mui respeitosamente,

Lau Cariri

PS: outra coisa que o buscador apontou quando cruzei as mesmas referências de que falei acima foi um artigo de Graciliano Ramos para o jornal carioca O Jornal publicado como se fosse uma carta endereçada a Allyrio que se encontra na Biblioteca do Centro Universitário Claretiano. Eles puseram um trecho na internet que eu colo agora (Monte Brito era o próprio Allyrio usando pseudônimo. Ou seja, quando Graciliano, escrevendo a Allyrio, diz que tem procurado Monte Brito, "esse seu amigo", fala é do próprio Allyrio de maneira indireta para o próprio Allyrio (a redundância fez-se necessária mesmo). Sei que Allyrio Meira era um sujeito de índole forte e duro nas convicções, daí minha conclusão):

400 / N.2/2001 [ Artigo ]

O JORNAL-RJ.. Carta a Allyrio,Graciliano Ramos.. Teresa-Revista de Literatura Brasileira2-USP., , n. N.2/2001, 2001.

Resumo:

Tenho procurado avistar-me com monte Brito,mas esse seu amigo ‚ vaporoso,‚ abstrato,abala-me as conviccoes,atira-me ao idealismo,insinua-me a suspeita de que um ser livre de carne e osso ‚ capaz de escrever extensos rodapes..... Anual.... Preto....

Palavras-chave:

GRACILIANO RAMOS; LITERATURA; CARTA A ALLYRIO..Biblioteca - Centro Universitário Claretiano 001

terça-feira, 27 de maio de 2008

A Justiça é cega e assexuada!

Sentença promulgada no Estado de Alagoas, em 1833.


















O adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana, quando a mulher do Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava de tocaia em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará. Elle não conseguiu matrimonio porque ella gritou e veio em amparo della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do sucesso faz prova.

CONSIDERO:
QUE o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com ella e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar, porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana;
QUE o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer; conxambranas com a Quitéria e Clarinha, moças donzellas;
QUE Manoel Duda é um sujetio perigoso e que não tiver uma cousa que atenue a perigança dele, amanhan está metendo medo até nos homens.

CONDENO o cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE.
A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa. Nomeio carrasco o carcereiro.

Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.

Manoel Fernandes dos Santos
Juiz de Direito da Vila de Porto da Folha Sergipe
15 de outubro de 1833

Fonte:
Instituto Histórico Geográfico de Alagoas

domingo, 11 de maio de 2008

Pars II: Gênero e número dos substantivos

Salue, popule! Chegamos a nossa segunda aula de língua latina. E é bom saber que pelo menos duas pessoas, confirmadas, estão acompanhando-as aqui conosco. Hoje trataremos dos substantivos latinos, que, como eu já disse, podem ser masculinos, femininos ou neutros. Bom, ainda estamos na primeira parte de nossas lições, então, lembre-se de que, do vocabulário, só trataremos de maneira mais pormenorizada depois, okay? Pois muito que bem!

Os gêneros latinos (masculino, feminino e neutro) são distribuídos em cinco grandes – na verdade um deles nem é tão grande assim – grupos de palavras chamados Declinações. No entanto, deixaremos p’ra lá essa coisa de declinação, e trataremos dos substantivos que possam vir a aparecer aqui, da maneira que nos convêm. Lembre-se de que o nosso interesse é só mandar ver latinamente. O resto que se... Bom, em primeiro lugar, veremos o gênero dos substantivos, paralelamente ao do português. Mas nada de falar sobre Casos. Deixaremos isso para quando for o caso (trocadilho sem graça, hein?). Que seja! As palavras do nosso vocabulário serão apresentadas sempre no singular. ‘Cê deve ter em mente que as que terminarem em -a, -es ou -trix serão femininas; as que acabarem em -us, -ix ou -tor, masculinas; e em -um ou -en, neutras. Caso haja alguma exceção, eu avisarei. Assim, a palavra cauda, -ae, que em latim quer dizer cauda mesmo, mas também pode ser tida no sentido de pênis (o porquê deixaremos para as lições em que eu apresentarei o vocabulário), é uma palavra feminina, bem como fututrix, -tricis, [futútriks]. A palavra cinaedus, -i [kináydus], por outro lado, termina em -us, então é masculina. Cunnus, -i [kúnnus] também é masculina, pois, como a outra, acaba em -us. scortum, -i [skórtum] é neutra, termina em -um. E assim por diante.

Como eu já falei, não há artigos em latim. Isto quer dizer que eles, os artigos, só têm de aparecer na tradução. Se o artigo vai ser definido ou indefinido, só o contexto pode indicar, mas a verdade é que nem sempre eles serão necessários à tradução. Agora, lembre que quem dita o gênero do artigo, na tradução, é o gênero da palavra em português. Há sempre quem pensa: “Mas no português não há neutro, magister (professor).” Ora! Por isso as palavras são sempre traduzidas, em português, por equivalentes femininas ou masculinas. Não há moído algum! Culus = o (um) cu; scortum = a (uma) puta; cunnus = a (uma) vulva, ou vagina. Simples! No entanto, a tradução de cunnus pode ser mais a gosto do tradutor, entende?

Se você já captou bem o que foi dito até aqui, podemos falar agora do plural. Vejam bem... não tem essas letrinhas que apareceram depois das palavras que eu usei como exemplo? Pois bem, nós podemos usá-las como referência para achar o plural das palavras que as acompanham. No caso dos substantivos terminados em -a e -us, o que vier depois da virgula coincide com seu plural. Basta substituir o -a ou -us por, respectivamente, -ae ou -i (cauda/caudae [káuda/káuday]; cinaedus/cinaedi [kináydus/kináydi]). Já se a palavra terminar em -um, ao invés de -i, cê deve pôr -a (scortum/scorta [skórtum/skórta]). Agora, com palavras terminadas em -trix, -ix, -tor e -en as coisas ficam um pouco mais complicadas. Você vai fazer o seguinte... perceba que o que vem depois da vírgula não é tão regular como nos casos precedentes: fututrix, -tricis; fellator, -toris. Notou? Agora veja que o -is final manteve-se. Pronto! Cê vai substituir esse -i- por -e- (fututrix/fututrices [futútriks/fututríkes], fellator/fellatores [fellátor/fellatôres]). Agora, se a palavra terminar em -en, o -is será substituído por -a (inguen/inguina [íngüen/íngüina]). E é isto!

Por fim, eu só quero apresentar o modelo para boa parte dos adjetivos e pronomes adjetivos que usaremos. O modelo é muito simples: parua, -us, -um [pár:wa, pár:wus, pár:wum]. Ele trás, respectivamente, as formas para o masculino, feminino e neutro. Isto quer dizer que em latim o adjetivo concorda em gênero com o substantivo? Claro que sim! Exemplo: “Oh culus magnus, Deus!” / “Oh cu grande (cuzão), meu Deus!”

Mas lembre-se: não é o fato da palavra terminar em -us que o adjetivo também deve terminar, mas o fato de ela ser masculina. Assim, algumas vezes suas terminações não coincidirão: fututrix bella.

Sobre o pronome adjetivo meus, -a, -um; perceba que em “Oh culus magnus, Deus!” ele, como os pronomes pessoais do caso reto, nem sempre precisam aparecer em latim, ainda que surjam na tradução. Você só vai precisar colocá-lo na frase latina se quiser enfatizar, por qualquer motivo, o pronome em questão ou para não gerar algum tipo de ambigüidade. Seria algo como nessas frases: “Deus do céu, por que foi acontecer isso?” e “Meu Deus do céu, por que foi acontecer isso?” Percebe que há uma ênfase maior no segundo caso, embora no primeiro o “meu” esteja subentendido, afinal quem se direciona a Ele dessa forma é porque O toma como seu, não é vero?

Neste momento, meu caro, minha cara, tento aprendido o verbo esse, e conhecendo algumas palavras, você já pode formar algumas pequenas frases. Quer ver? Bom, quantas vezes não gostaríamos de fazer a alguém uma pergunta indecorosa, mas somos impedidos por causa do ambiente? Pois é... ‘cê pode usar o latim p´ra isso, desde que o tal alguém esteja por dentro. Agora não se esqueça do modelo frasal que eu apresentei na lição passada, bem como da flexibilidade dele. Vou dedicar agora um tempo a descrever em linhas gerais como ele funciona. Pense na pergunta: aquela menina é quenga? Em latim você até que pode escrever a frase nesta ordem (Illa puella est scortum?), mas o importante é que a pergunta adapte-se a sua intenção de maneira passional. Eu explico: se saber se ela é puta for a grande questão – sei lá, por você está afim – então a frase ficaria melhor assim: Scortum est illa puella? Indo p’ro final o que é menos importante. Agora, se você está surpreso com o fato de aquele menina, e não outra, ser quenga, então a pergunta ficaria melhor assim: Illa puella scortum est? Perceba que o verbo foi pro final da frase, por ser a parte menos importante da frase. Os adjetivos latinos tendem a ficar depois do substantivo com que concordam, mas em latim, até isso é meio relativo a nossa intenção: Illa scortum est puella? Por isto o estudante tem de estar atento a quem está ligado determinado adjetivo. Até a próxima, pessoal!

Vocabulário

Puella, -ae [púella]: menina, moça.
Scortum, -i [skórtum]: puta, quenga.
Cinaedus, -i [kináydus]: homossexual masculino, gay.
Fututrix, -tricis [futútriks]: mulher que dá a muitos ou a alguém específico, rapariga.
Cauda, -ae [cáuda]: cauda, rabo. Mas pode ser usado para se referir ao pau, pênis.
Magnus, -a, -um [mágnus]: grande.
Paruus, -a, -um [par:wus]: pequeno.
Ille, illa, illud [ílle]: aquele, aquela, aquilo.
Bellus, -a, -um [béllus]: belo, bonito.
Culus, -i [kúlus]: cu.
Fellator, -toris [fellátor]: chupão.
Cunnus, -i [kúnnus]: vulva, vagina, buceta.
Meus, -a, -um [mêus]: meu, minha.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Pars I: Quidquid latine dicitum sit, altum uidetur

(Parte I: o que quer que tenha sido dito em latim parece imponente)

Olá, seja você quem for. Eu sou o Magister Ludi. Bem-vindo a nossa primeira aula de língua latina pela internete. Uma co-produção da equipe do Soda Cáustica e do departamento de línguas clássicas da... Bom, isso não vem bem ao caso. O fato é que, como você já deve estar sabendo, o objetivo deste curso tem em vista o ingresso do estudante no universo deste idioma antigo só que pela porta dos fundos, ou seja, pelo modo de falar do povão romano, sobretudo, claro, naquelas horas em que ele está totalmente injuriado e quer mesmo é botar pra quebrar. Assim, este curso é direcionado exatamente pra você que detesta Seu Fulano de Tal que não perde a oportunidade de demonstrar seus parcos conhecimentos de língua latina e sai sempre com uma do tipo: “ah – qualquer que seja a palavra –, do latim...” Faça-me o favor.

O curso será dividido em duas partes das quais, a primeira, tratará da apresentação de todas as informações que eu julgar necessárias ao bom uso do vocabulário que você então ficará de posse na segunda parte do curso. Além disso, o vocabulário virá acompanhado de um breve comentário – já que naquele tempo, nem todas as palavras eram usadas como hoje – e de toda sorte de exemplos que possam facilitar a aprendizagem deste lado do idioma do Lácio infelizmente negligenciado pelos professores. Agora, chega que enrolação e vamos logo à aula!


Se você ainda não sabe, caro aluno, ou aluna, o latim é escrito por meio de um alfabeto muito, muito conhecido chamado... alfabeto latino. Isso mesmo! Aquele com o qual aprendemos a escrever o português – só que, claro, no século I antes de Cristo, período em que este idioma estava realmente bombando, ele não era exatamente o mesmo que nós conhecemos hoje. Primeiro porque naquela época não havia letras minúsculas, coisa que só apareceu na Idade Média; nem, por não existirem os fonemas correspondentes, as letras “v” e “j”, adicionadas a ele pelo francês Pierre de la Remée só lá pelo século XVI. Por fim, mas não necessariamente nesta ordem, o “y’ e o “z” surgiram para que fossem traduzidas algumas palavras advindas do grego, e a letra “k”, que já existia bem antes disto, era como se não existisse – parece que ninguém ligava muito pra ela. Hoje, as escolas que ainda se prestam a dar aulas de latim não abrem mão das minúsculas e, em alguns casos, também não do uso do “v” e do “j”, ou de pelo menos uma delas. Por nossa vez, optamos não adotar aqui estas letras, mantendo-nos assim o mais fiel possível ao tempo daqueles caras esquisitões que usavam vestidos, sandálias de dedo e adoravam ver homens massacrando uns aos outros no circus até a morte.

Abecedarium latinum
A,a (ā) – B,b (bē) – C,c (kē) – D,d (dē) – E,e (ē) – F,f (ēf) – G,g (guē) – H,h (rā) – I,i (i) – K,k (kāppa) – L,l (ēl) – M,m (ēm) – N,n (ēn) – O,o (ō) – P,p (pē) – Q,q (qu) – R,r (ēr) – S,s (ēs) – T,t (tē) – V,u (u) – X,x (ix) – Y,y (üpsilon) – Z,z (dzēta)

Como não quero tornar você um profundo conhecedor deste idioma, as questões relativas à pronúncia dele serão resolvidas com a transcrição das palavras latinas à portuguesa, sempre que houver necessidade. No entanto, o latim é uma língua cheia de esquisitices e por isso mesmo vamos enumerar aqui as mais importantes para o nosso curso. Em primeiro lugar 1) o fato de ele, o latim, não admitir artigo, qualquer que seja, definido ou indefinido; 2) de não possuir pronome pessoal do caso reto para as terceiras pessoas, do singular ou do plural; 3) de, diferente do português, seus substantivos poderem ser masculinos, femininos ou neutros; e 5), por fim, de os pronomes pessoais do caso reto que existem só precisarem aparecer na frase relacionados a algum verbo, caso o falante queira enfatizá-lo. Mas e se você quiser enfatizar uma terceira pessoa, o que deve fazer? Bom, neste caso, você poderá usar um demonstrativo pra isto, como veremos mais adiante.

Outra coisa estranha é que a ordem das palavras nas frases do latim não é tão determinada quanto a do português. No entanto, há um modelo-base com o qual nós podemos nos apegar. Qualquer “violação” a esse modelo deverá ser assim guiada pelo intuito, por parte de quem está se expressando, de enfatizar algum termo em especial. Neste caso, o termo escolhido deve vir antes dos demais, seguindo uma espécie de ordem de importância.

Modelo da frase latina
Sujeito – Verbo de ligação – Predicativo do Sujeito

Ex.: Marcos é um idiota. Um idiota Marcos é. Marcos um idiota é. Um idiota é Marcos.
(acima, você tem a frase segundo o modelo e, a seguir, ela de outras maneiras possíveis, em latim, claro)

Por fim, meu caro aluno, ou aluna, será importantíssimo que você tenha na ponta da língua o verbo latino Esse (na pronúncia o “e” final não pode ter m de “i” jamais) que equivale aos nossos ser/estar. Então, fica aí sua primeira, e uma das poucas, obrigações: decorar o verbo Esse no indicativo presente. Então, até a próxima!

Verbo Esse (ser/estar)
Singular: [ego] sum – [tu] esest
Plural: [nos] sumus – [uos] estissunt

PS.: lembre-se: os pronomes latinos equivalentes aos nossos do caso reto só precisarão aparecer numa frase se, e somente se, você quiser enfatizá-los. Caso contrário, não.

Ex.: eu sou = sum / EU sou = ego sum
(e assim por diante com os demais)

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Latim, hein? Eu sei dizer uma coisa em latim...


Olá, povo. Bom, se você ainda não sabe, nem haveria como saber mesmo, a partir dessa sexta-feira, dia o2 de Maio, o Soda Cáustica disponibilizará um instrutivo curso, em sabe lá Deus quantas lições, de língua latina, preparado especialmente p’ra você. Mas não se preocupe, não! Nosso objetivo é fazer com que as pessoas tenham o que dizer, quando algum engraçadinho, tentando se passar por fulano de muita instrução, sair com um comentário do tipo: “Ah, essa palavra é do latim...”, e botar p’ra descer no sujeito com o idioma dos Caesares.

Além de adquirir um vocabulário dos diabos, com toda sorte de palavrões e xingamentos que estavam na boca dos pullati romani, você poderá também tirar suas dúvidas, com relação às lições, e, claro, dar sugestões para o bom andamento do curso. Então, não se esqueça. Será a partir dessa quarta-feira, aqui, no Soda Cáustica.

PS.: Caso você tenha já vontade de saber como se diz um palavrão de sua preferência e quer sabê-lo o mais rápido possível, pode usar o espaço dos comentários p’ra perguntar.